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Não podia deixar de comentar a polêmica sobre o corpo da Izabel Goulart que foi considerado pelo site de uma grande revista “o corpo perfeito”. O problema não está no corpo dela em si. Li os comentários disparados contra a modelo – e digo disparados porque foram feitos com tamanha agressividade que viraram praticamente armas nas letras colocadas – e fiquei passada por dois motivos: primeiro porque me dei conta da magnitude que a discussão sobre aceitação de diferentes corpos tinha tomado; segundo porque nessas horas muitas pessoas (não todas) esquecem de refletir sobre a culpa o argumentador e atacam o objeto argumentado – no caso o corpo da modelo.

A gente não sabe como anda a saúde da Izabel, muito menos se ela é “desnutrida” ou “anoréxica”. Sim, ela é realmente muito magra. Mas como colocou uma leitora nos comentários da matéria, ser muito magra não é sinônimo de doença, assim como ser gorda também não é. Acredito que toda aceitação vem do respeito e se a gente espera respeito pelas nossas gorduras extras, devemos, no mínimo, respeitar outros tipos de corpo diferentes dos nossos.

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Imagem do Projeto Beleza Real

Posto isso, digo que me envergonho desse tipo de jornalismo que rotula, que impõe, que glorifica um lado em detrimento do outro. E penso, em que ano estamos? Jura mesmo que em 2013, com esse movimento tão grande de aceitação, ainda temos que ler que existe somente um tipo específico de corpo perfeito? Como se todas as mulheres desse mundo devessem achar uma coisa bonita, só porque a pessoa que está do lado de lá, protegida por um grande veículo, acha…  E digo uma coisa, todos os corpos são perfeitos. Por mais que tenham defeitos, são lindos.

Então fico pensando, por que eu deveria achar aquele corpo bonito? Ele não se assemelha em nada com o meu: sou baixinha, tenho quadris largos e cintura fina, tenho pouco peito e muita bunda. Nunca, jamais, nem se fizesse mil regimes e emagrecesse a minha última grama de gordura, eu NUNCA ia me parecer com ela – alta, magra, reta e com braços finos. Deixando de lado o meu gosto pessoal e o que eu acho bonito, por que eu acharia aquilo, que é tão distante da minha realidade, “perfeito”?! Por que tem alguém tentando sempre me colocar para baixo, dizendo que aquilo é incrível e, logo, deixando subentendido que o meu não é, já que o “ideal” está completamente distante de mim (e da maior parte das brasileiras).

Nesse mundo é preciso ter um psicológico de adamantium (uma liga metálica fictícia… Referência nerd, desculpa!), porque só assim para se manter concentrada na realidade e conseguir ignorar ou abstrair esse monte de porcaria que nos é enfiado goela abaixo todos os dias. Eu sempre digo que a infelicidade gera dinheiro e que em tempos de capitalismo deixar as pessoas infelizes movimenta a economia. Uma mulher que tenta conquistar o corpo perfeito paga academia, paga comidas caras, paga aula de bike, paga suco detox, paga lipoaspiração, paga o que for para ter um “corpo perfeito”. O que ninguém diz para essa mulher é que ela não vai chegar lá. O que ninguém diz para ela é que ela não precisa se parecer com Izabel, com Gisele, com Isabelli. Ela só precisa se parecer com ela, já que assim como as citadas anteriormente, ela é ÚNICA.

Não me leve a mal, não sou contra o capitalismo, sou contra o modo como as coisas são feitas. E se você leu tudo e chegou até aqui, também deve ser. Eu acredito que estamos sempre dando passinhos para frente, para a evolução, para a liberdade e para a igualdade. Mas quando leio matérias e comentários desse tipo, nos vejo dando dois passinhos para trás. Te faço um convite, antes de dar qualquer passo, vamos pensar, refletir, nos colocar no lugar das pessoas e aí então movimentar nossas pernas mentais?! Vamos aprender a ler e absorver o que nos faz evoluir e esquecer, ignorar, lutar contra o que nos faz retroceder?!

É que vai chegando o verão e de repente o corpo vira uma questão tão maior que qualquer outra. Mas afinal, me parece tão vazio e pobre de espírito uma pessoa deixar que o culto ao corpo tome tanta conta da vida dela e consuma tanto do seu tempo, dinheiro e intelecto… Não é?

 

Enfim meninas, deixo o espaço dos comentários para quem quiser deixar seu ponto de vista, peço só que mantenham respeito e um nível racional de discussão ;) De resto, sintam-se a vontade para expressar todos os seus sentimentos! Me contem, o que vocês acharam da “polêmica”?!?

 

HUA HUA

BJÓN

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