Gorda pelada: militância ou egotrip?

Oi, gente linda! Toda vez que entro no meu Instagram sou bombardeada por bundas nuas. Nada contra, amo a liberdade, conquistada a muita luta, que temos  em poder exibir nossos corpos gordos como quisermos e acho que o corpo nu é político, sim, portanto militância. Corpo gordo e livre é a coisa mais linda de se ver. 

Quando colocamos um corpo fora do padrão em um lugar comum, transformando a imagem de um corpo gordo como normal, como qualquer outro como tantos magros por aí, isso é de certa forma avançar na despatologização de um corpo gordo. O que é necessário e extremamente importante para que uma pessoa gorda consiga conviver harmoniosamente em sociedade, enfrentando menos preconceito. 

Mas, então, por que esse bombardeio de bundas no meu feed me incomodou tanto? 

É fato que bunda dá like. É só comparar a quantidade de curtidas em relação a outra foto da mesma criadora vestida. Então comecei a me questionar: será que em algum momento essa bunda política não acabou virando uma bunda caçadora de likes? Será que em certo momento, a criadora de conteúdo esqueceu-se do conteúdo em si e passou a postar apenas “o que funciona pra dar engajamento” (acredite, já ouvi isso várias vezes de colegas de profissão). 

Até onde um corpo pelado, querendo likes, é de  fato empoderador? Até onde ele pode ser opressor? 

Um corpo gordo nu não me incomoda. ter corpo gordo nu, sim. 

E veja, NÃO estou falando de criadoras de conteúdo que postam uma vez ou outra um fotão foda de nu militante acompanhado de um texto incrível e cheio de debates. Essas eu acho que são EXTREMAMENTE necessárias (inclusive tem aqui nesse post da Bia Gremion um exemplo fantástico de nu com conteúdo).

 

Estou falando daquelas que o feed é 90% foto pelada com legendas rasas e sem serviço algum. Você nem sabe do que a menina fala ao olhar o feed, porque só tem bunda e peito. Acho confuso… E talvez até um pouco prejudicial para quem vê, explico: 

A gorda não precisa ficar pelada pra ser validada como bonita, como empoderada, como mulher digna de ser desejada, elogiada e bem resolvida.

SPOILER necessário: você não precisa ficar pelada pra ser empoderada ok?! No entanto, se você quiser, é incrível que você tenha liberdade para isso. 

A ideia de que ser gorda e empoderada é sinônimo só de ficar postando fotos pelada talvez seja o que me incomoda – além claro de cairmos de novo na problemática da fetichização do corpo gordo

Não me incomoda por ver corpos nus (inclusive, adoro), mas porque eu nunca vi o empoderamento, a autoestima e autoconfiança como algo que precisasse ser validado por um grande público, por uma quantidade específica de likes ou por comentários biscoiteros.

O empoderamento, autoestima e autoconfiança vão muito além do corpo físico e externo. Têm inclusive muito mais a ver com sentimentos e certezas internas, que não precisam de validação online. Ser bem resolvida não significa que você precise ficar pelada na internet. 

O que me leva a pensar: será que as fotos peladas do Instagram querem de fato empoderar as seguidoras ou são só uma imensa egotrip, onde o que importa mesmo são os likes e os comentários validando seus corpos?

Será que ao falar de autoestima e aceitação usando apenas fotos nuas, elas não estão buscando fora, em comentários e curtidas, o que na verdade elas deveriam estar sentindo por dentro – e não estão? 

 

Eu não sei a resposta, até porque duvido que alguma seja capaz de dizer a verdade e admitir caso seja uma questão de ego. Mas ainda assim, involuntariamente, comecei a revirar os olhos cada vez que vejo uma bunda nua a cada 2 fotos do meu feed. Para mim, cada vez mais tem passado de empoderamento a ranço. Eu continuo aguardando algum conteúdo que de fato acrescente alguma coisa na minha vida, porque de bunda pelada, já vejo a minha no espelho todo dia e não preciso ficar mostrando nas redes sociais para saber que ela é bem maravilhosa. 

 

Além desses questionamentos, fico pensando: o que a bunda nua causa em uma seguidora que ainda não se aceita? Será que tantos corpos nus, o tempo inteiro, ajuda ela a se olhar com mais carinho no espelho ou só faz com que ela se sinta insuficiente e frustrada por não conseguir expor seu corpo com aquela “coragem”? Será que esse bombardeio liberta ou oprime ainda mais? 

O que você acha? As bundas do feed te empoderam ou te fazem se sentir insuficiente? 

 

Eu não consigo chegar a uma conclusão. Eu sou SEMPRE a favor da liberdade, a gente tem que postar o que quiser como quiser e segue quem quiser também. Mas achei o questionamento válido, pra gente pensar mesmo em como tem sido a produção de conteúdo no nosso meio, em como nós estamos interagindo nas redes e como essas imagens que chegam até nós realmente nos impactam.

 

O que vocês acham? Me contem tudo aqui!

 

HUA HUA

BJÓN

 

Ensaio sensual plus size: Ju Romano e Isabella Trad pelas lentes de Débora Nisenbaum

OMG! Abaixa que é tiro de amor próprio! ♥ Vesti a coragem e fui fazer um ensaio sensual plus size com a Bels! \o/

Eu nunca me achei uma pessoa sensual, acho que tenho inúmeras qualidades, mas sensualidade nunca foi uma delas. Não sei exatamente por que, mas deve ter a ver com alguma coisa mal resolvida que eu ainda tenho com o meu corpo e está tão lá no subconsciente que nem racionalizando MUITO eu consigo acessar pra resolver. Acontece, né?

O processo de desconstrução leva muito tempo e é um processo diário. Por mais que eu seja extremamente bem resolvida em tantos aspectos da vida, talvez essa questão da sensualidade e de me ver com esse olhar ainda seja uma coisa que eu precise trabalhar. 

Talvez a ideia de colocar meu corpo, de uma forma que eu não vejo ele, para todo mundo ver, me deixe um pouco nervosa. Não sei. Talvez expor todas as minhas características físicas como elas são – coxa grossa, peito pequeno, celulites, barriguinha – seja muita exposição. Mas aí eu penso: se olhar mulheres normais de lingerie me inspira TANTO, por que eu não poderia inspirar outras mulheres também? Por que meu corpo, como ele é, exposto de uma forma sensual, não poderia inspirar outra mulher a descobrir também sua sensualidade? 

A vontade de fazer um ensaio sensual plus size existia, só não conseguia expressá-la ou talvez eu mesma não tivesse coragem de me ver assim. Mas é como eu sempre falo, se existe uma vontade e por algum motivo a gente não consegue realizar – seja por medo ou vergonha – então está errado. A gente tem que conseguir fazer TUDO que a gente tem vontade. Daí fazer ou não é uma questão de escolha própria. O que a gente tem que ter é a possibilidade SEM TRAVAS.

Então, quando a Bels (@beeeells), que é minha amiga do coração, literalmente me puxou pela mão e me levou para fotografar quase sem roupa, até que me senti bem confortável. É como eu sempre falo, nem tudo a gente consegue fazer sozinha, as vezes a gente precisa de um empurrãozinho. 

É importante demais ter amigas que te incentivem a realizar o que você tem vontade, que estejam ao seu lado para segurar sua mão e te deixar confortável em situações desconhecidas. Também é importante ter mulheres inspiradoras como a nossa fotógrafa Débora Nisenbaum (segue ela no @deboranis) e como a Paula (@afrointergalatica) e a Erica (@ericaimenes) essas duas MARAVILHOSAS que também já chegaram dando surra de beleza, autoestima e empoderamento.

No final, foi um dia incrível! A melhor coisa é perceber ao vivo que um corpo é só um corpo mesmo. Que todos são tão diferentes. Todos têm suas particularidades, seus pequenos detalhes, suas cicatrizes físicas e psicológicas. Mas que no final todos são incrivelmente LINDOS!

Por que o seu não seria, não é mesmo?

Em relação ao resultado das fotos, sem alteração nenhuma dos nossos corpos no Photoshop, to olhando aqui e pensando: UNS MULHERÕES DESSES, BIXO! ♥♥♥♥♥♥

 

♥ Ensaio sensual plus size: Ju Romano e Isabella Trad pelas lentes de Débora Nisenbaum 

DE ONDE SÃO AS PEÇAS QUE USAMOS

Era tuuudo acervo pessoal, usamos nossas roupas mesmo, pra ficar bem nossa cara. Mas se você quiser procurar alguma coisa parecida as lojas que compramos foram:

Casacão de pelúcia > WearEver

Colete de pelos > We Love Ateliê 

Corset Ju Romano > Black Cherry Corsets

Calcinha Hot Pant Ju Romano > F.A.T. – For All Types 

Calcinha Bels > Carrefour

Sutiã de renda Ju Romano > GGRie

Sutiã de renda Bels > GGrie

Blusa cinza de renda bordada Bels >We Love Ateliê 

Blusa preta de renda Ju Romano > Julia Plus 

 

SOBRE A FOTÓGRAFA

A Débora Nisenbaum é uma paulistana linda, de 24 anos, que cede seu olhar único para as fotos desde os 16 anos. E ela consegue deixar o nu realmente artístico. Inclusive é isso que ela mais gosta de fotografar mesmo: retratos e homens e mulheres sem roupa – sempre em preto e branco. Mas, acima de tudo, a Débora é radicalmente contra alterar o corpo das pessoas digitalmente, isso é a alma de suas fotos: a beleza nas coisas (e pessoas) como são. Seu nstagram @deboranis é repleto de fotos incríveis, vale a pena dar uma olhadinha! 😉

 

 

Bom, gatona, acho que o que fica disso é a gente aprender a olhar nosso corpo de outra forma. Com mais compaixão, com mais carinho, com mais amor e perceber que cada pedacinho de nós é único. Todo mundo é diferente e cada um tem sua beleza. E também que a gente pode ser o que tiver vontade, mesmo que tenhamos sido levadas a vida inteira a acreditar o contrário 😉

 

Você já fez um ensaio sensual? Como você se sentiu? Me conta aqui nos comentários!!!

 

HUA HUA

BJÓN

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