Project Harpoon: como é doentio querer impor seu padrão sobre os outros

Essa semana eu fui bombardeada de matérias sobre uma coisa – que chamam de projeto – chamada Project Harpoon e logo virou Operation Harpoon. Basicamente o ser por trás dessa “operação” suuuuper revolucionária (sinta a ironia) quer mostrar que ser magro é bonito, indo contra o padrão estético gordo – e para isso transformando gordas que superaram seus traumas e hoje se acham bonitas em… Bem, MAGRAS. OIIII??????

Segundo a pessoa que faz:

“Essa é uma página dedicada a mostrar os dois lados da beleza moderna. No atual momento da sociedade, surgiu uma nova tendência “pró-obesidade” e “aceitação da gordura” que pavimentaram o caminho para muitas pessoas renunciarem os exercícios e os cuidados pessoais com a saúde em geral. Essa página apenas tem o objetivo de mostrar que ser magro é OK! E que ter vergonha de ser magro não é OK 🙂 “

Mas gente! Essa pessoa vive no mesmo mundo que eu? Pera um pouco, acho que dormi e acordei em outro planeta…. Só pode ser!

Primeiro de tudo, onde começa a ignorância: o movimento de aceitação não é a mesma coisa que pró-obesidade.

Segundo: se aceitar só faz cada um gostar mais do seu corpo e cuidar dele COMO JULGAR NECESSÁRIO (decisão que só cabe a cada um mesmo, afinal ninguém é dono do corpo de ninguém!).

Terceiro: fazer ou não exercícios não faz com que as pessoas fiquem magérrimas. Eu por exemplo vou pra academia todo dia e continuo no tamanho 50, obrigada, mas não são todas as pessoas magras que vão à academia e você não vê nenhum movimento modificando o corpo delas… E nem tem que ter! Afinal o corpo é delas e de mais ninguém.

Quarto: criar um corpo COMPLETAMENTE irreal baseado em modificações do Photoshop só ajuda a reafirmar um esteriótipo inalcançável e impossível, que não ajuda a mulher a cuidar de sua saúde (como afirma o projeto). Pelo contrário! Só massacra a autoestima feminina e contribui para a infelicidade com o corpo, que leva a mulher a ficar descuidada e se esconder com VERGONHA de ir à academia, ao parque ou a qualquer outro lugar. Ou seja, em vez de ajudar e incentivar a mulher, esse projeto só consegue ACABAR com qualquer propósito que ela tenha.

POR FIM, tenho que comentar sobre a última parte da descrição, que pra mim mostra o quanto ignorante, sem percepção e rasa é essa criadora do Project Harpoon. Até ontem, quando eu fui dormir, nós éramos bombardeadas de imagens de mulheres magras e photoshopadas, nos dizendo 24/7 que se a mulher não se encaixar nesse corpo sua vida jamais poderá ser completa e ela jamais poderá ser feliz, ter um relacionamento, ser bem sucedida ou sequer respeitada. E não o contrário…

Até ontem, o movimento de aceitação (não, não é um projeto e nem uma operação, é um movimento de seres humanos que olham na mesma direção, mesmo) não era dividido entre gordas e magras, pelo contrário, o movimento de aceitação é A FAVOR DE GORDAS E MAGRAS E QUALQUER OUTRO TIPO DE CORPO. É a favor da mulher e de que ela se sinta bem em seu corpo como ele é. Que ela se sinta dona de suas próprias decisões e decida por si só o que fazer com o SEU corpo. E isso significa que sendo ultragorda ou hipermagra ela tem o DIREITO de ir na academia sem vergonha (ou não ir também) e saiba que SUAS decisões afetam apenas o SEU corpo. E que o futuro do SEU corpo, será uma consequência de SUAS decisões. Mas que ela não precisa ser magra, gorda, bolada ou o que seja para isso.

Por que o movimento de aceitação é representado por mulheres com gorduras, então? Umas mais, outras menos, mas essas mulheres foram EXCLUÍDAS da sociedade por muito tempo. Por que essas mulheres NUNCA foram aceitas. O fato delas serem gordas, no entanto, não exclui as magras… Dizer para aceitar seu corpo é diferente de dizer que todo mundo tem que engordar! 

Meus caros do Project Harpoon ou Operation Harpoon, cresçam e percebam que o movimento de aceitação corporal pouco tem a ver com a aparência do corpo em si, e muito tem a ver com a LIBERDADE.

E se eles realmente estivessem preocupados com a saúde de alguém, teriam feito um tumblr sobre esportes, academia, alimentação saudável… E não um de imagens photoshopadas tentando provar que ser magro é ser mais bonito, porque afinal a gente nem vê e revê essa afirmação em tudo que aparece na nossa frente, não é mesmo?!? Que original… (sinta, de novo, a ironia).

Sem contar que, spoiler: vai rolar denúncia de preconceito, não é toda gorda que é doente e nem toda magra que é saudável. Assim como tem gordas doentes e magras saudáveis, óbvio, e por isso não dá pra colocar todo mundo fisicamente parecido em uma caixinha.  E tem gorda que vai, SIM, pra academia!   

 

Bom, agora minha impressão pessoal é que esse tumblr e projeto é feito por uma criança/inicio de adolescência que aprendeu a mexer no Photoshop e na internet cedo demais pra perceber que suas ações têm consequências e cedo demais para poder estudar, ler e refletir com clareza sobre as questões que quer colocar. Acho, inclusive, que essa pessoa fez esse tumblr por ter questões pessoais com o seu próprio corpo e não saber lidar com elas.

Aí que eu digo que é muito doentio querer impor o seu padrão sobre os outros. É achar que você é melhor que alguém. Por quê? Por acaso você nasceu de um ovo de ouro e foi abençoada pelos 7 céus? Só porque você acha mais bonito ser magro (e isso é ok, é só uma questão de opinião) não quer dizer que quem é gordo é feio ou que todo mundo tenha que se encaixar na sua opinião e muito menos que você tem o direito de ofender quem é diferente de você. Só porque você é/gosta/quer/está tentando ser magra não quer dizer que o mundo todo deva querer também, entende?! Achar que sua opinião deve prevalecer sobre a de qualquer outra pessoa é muito doentio e isso sim é uma ideia que deve ser rebatida, não com Photoshop mas com clareza e informação.

Por fim, eu realmente acho que em todas as imagens a foto original é tão bonita quanto a photoshopada seria se fosse de verdade. Porque eu aprendi a ver beleza no que é real, palpável, existente e não ficar criando expectativas a respeito do corpo dos outros. Existem diferentes tipos de corpos e eles não têm que ser iguais. Existem corpos gordos bonitos e existem corpos magros bonitos. Inclusive, tenho certeza que se as mulheres representadas naquelas fotos emagrecessem de verdade, pouco se pareceriam com a imagem photoshopada, mas continuariam bonitas.

Ou seja, que tal a gente ignorar a existência desse projeto e continuar lutando ao lado das pessoas que têm o mesmo objetivo e a mesma visão de corpo que a gente? Que tal a gente continuar lutando para a INCLUSÃO e não pelo padrão? Que tal continuarmos lutando para que TODO TIPO DE BELEZA seja reconhecido (magro, gordo, bolado…) e seja aceito sem preconceitos?!

 

Enfim, fica aqui minha opinião sobre o tal do Harpoon Project / Operation Harpoon, e a Marixxx do Tamanho P, a Paulinha Bastos do Grandes Mulheres e a Mari do Moda Plus Size Brasil também deram suas opiniões a respeito, vou deixar os links abaixo. Vale a leitura!

Maris, do Tamanho P >  http://bit.ly/1U8iRly 

Paulinha, do Grandes Mulheres > http://bit.ly/1I5gZ69

Mari, do Moda Plus Size Brasil > http://bit.ly/1U0ZUXp

 

Agora, qual a de vocês? Me contem TUDO nos comentários e vamos crescer esse diálogo!!! Ah! Vamos evitar as ofensas se der, ok? hehhehe

 

Por hoje é isso

HUA HUA

BJÓN

 

Trilha Sonora do dia e reflexão sobre padrões

Esses dias várias leitoras queridas me indicaram uma trilha sonora que ouço todo dia no repeat. É a All About That Bass, da Meghan Trainor, uma cantora americana que está fazendo o maior sucesso por criticar os padrões em sua música (ver tradução abaixo). A verdade é que eu amei a batida da música, a empolgação e a parte em que ela defende o corpo “violão” com unhas e dentes… Mas, opa, pera lá! Sim, eu acho muito legal a crítica em relação às mulheres irreais criadas pelas revistas, a crítica ao Photoshop e a parte que ela diz, empolgada, “Se você tem beleza, beleza, eleve-a. Pois cada pedacinho de você é perfeito. Lá de baixo até o topo”. Mas olhando a letra, fico chateada com uma coisa: o fato dela criticar as meninas magras com frases até agressivas para o meu gosto.

É muito comum (e eu até já falei sobre isso por aqui) ouvir frases do tipo “homem gosta de ter onde pegar” ou, no caso da música, “homem gosta ter onde pegar à noite”. Mas, gente, isso não é legal. Ninguém precisa diminuir os outros para se mostrar melhor. Nós, gordas ou apenas meninas fora dos padrões, fomos diminuídas durante anos – e somos até hoje – e sabemos que isso não faz bem para autoestima de ninguém, sabemos que isso nos destruiu psicologicamente, então por que dizer exatamente o que não gostaria que fosse dito a você?

Eu sei que é um jeito de se rebelar, de dizer chega, de falar que você é dona de um corpo lindo e desejado tanto quanto de uma menina magra… Mas francamente, você não precisa negar um padrão impondo outro! Além disso, da mesma forma que não gostamos de ser generalizadas, não vamos generalizar também. Homem não gosta disso ou daquilo. Tem homens que gostam disso e homens que gostam daquilo. Tem homem que gosta de gorda, tem homem que gosta de magra e independentemente do que eles gostem, somos nós que temos que gostar do nosso corpo.  

Eu adorei a música e recomendo. É uma música “empoderadora” para nós que não nos encaixamos nos padrões. Mas não se deixem levar pela ideia de diminuir as meninas diferentes de você. Fiquem apenas com a ideia principal: você é linda com o corpo real que você tem – seja ele magro, gordo, grande, pequeno, alto, baixo… – e aprenda a aceitar o que é diferente.

Agora aperta o play na trilha sonora de hoje, levanta da cadeira e vá rebolar… Você merece, tem um corpo lindo e é tão sexy quanto qualquer outra pessoa 😉

 

 

All About That Bass – Meghan Trainor

 

Because you know I’m all about that bass (Porque você sabe, eu sou mais um corpo violão)

‘bout that bass, no treble (Um corpo violão, não um tipo flauta)

I’m all ‘bout that bass, ‘bout that bass, no treble (Sou mais um corpo violão, um corpo violão, não tipo flauta)

I’m all ‘bout that bass, ‘bout that bass, no treble (Sou mais um corpo violão, um corpo violão, não tipo flauta)

I’m all ‘bout that bass, ‘bout that bass (Sou mais um corpo violão, um corpo violão)

 

Yeah it’s pretty clear, I ain’t no size two (Sim, está muito claro, eu não uso 38)

But I can shake it, shake it like I’m supposed to do (Mas posso rebolar, rebolar, rebolar, como devo fazer)

Cause I got that boom boom that all the boys chase (Pois tenho aquela performance que os meninos procuram)

All the right junk in all the right places (Todas as gostosuras nos lugares certos)

I see the magazines working that Photoshop (Eu vejo as revistas abusando daquele Photoshop)

We know that shit ain’t real (Sabemos que essa porcaria é uma ilusão)

Come on now, make it stop (Fala sério, faça isso parar)

If you got beauty beauty just raise ‘em up (Se você tem beleza, beleza, eleve-a)

Cause every inch of you is perfect (Pois cada pedacinho de você é perfeito)

From the bottom to the top (Lá de baixo até o topo)

Yeah, my momma she told me don’t worry about your size (É, minha mãe me disse “não se preocupe com seu peso”)

She says, boys they like a little more booty to hold at night (Ela diz “meninos gostam de ter o que apertar à noite”)

You know I won’t be no stick-figure, silicone Barbie doll (Você sabe que não vou ser uma vara pau, Barbie siliconada)

So, if that’s what’s you’re into (Então, se é isso que você prefere)

Then go ahead and move along (Saia daqui e parta para outra)

 

Because you know I’m all about that bass (Pois você sabe, eu sou mais um corpo violão)

‘bout that bass, no treble (Um corpo violão, não um tipo flauta)

I’m all ‘bout that bass, ‘bout that bass, no treble (Sou mais um corpo violão, um corpo violão, não tipo flauta)

I’m all ‘bout that bass, ‘bout that bass, no treble (Sou mais um corpo violão, um corpo violão, não tipo flauta)

I’m all ‘bout that bass, ‘bout that bass (Sou mais um corpo violão, um corpo violão)

 

I’m bringing booty back (Estou trazendo as bundas de volta)

Go ahead and tell them skinny bitches Hey (Vá e diga a essas vadias magrelas ‘e aí’)

No, I’m just playing I know you think you’re fat (Não, estou brincando, sei que você se acha gorda)

But I’m here to tell you that (Mas estou aqui para te dizer que)

Every inch of you is perfect from the bottom to the top (Cada pedacinho de você é perfeito, lá de baixo até o topo)

Yeah, my momma she told me don’t worry about your size (É, minha mãe me disse “não se preocupe com seu peso”)

She says, boys they like a little more booty to hold at night (Ela diz “meninos gostam de ter o que apertar à noite”)

You know I won’t be no stick-figure, silicone Barbie doll (Você sabe que não vou ser uma vara pau, Barbie siliconada)

So, if that’s what’s you’re into (Então, se é isso que você prefere)

Then go ahead and move along (Saia daqui e parta para outra)

 

Because you know I’m all about that bass (Porque você sabe, eu sou mais um corpo violão)

‘bout that bass, no treble (Um corpo violão, não um tipo flauta)

I’m all ‘bout that bass, ‘bout that bass, no treble (Sou mais um corpo violão, um corpo violão, não tipo flauta)

I’m all ‘bout that bass, ‘bout that bass, no treble (Sou mais um corpo violão, um corpo violão, não tipo flauta)

I’m all ‘bout that bass, ‘bout that bass (Sou mais um corpo violão, um corpo violão)

 

 Por hoje é isso, mas me conta aí nos comentários o que você achou da música! (Sem contar o clipe foooofoooo!) 

 

HUA HUA

BJÓN

Sair da versão mobile