Eu tenho orgulho de ser plus size. Mas, ao contrário do que possa parecer, não fico orgulhosa das minhas calças 50. O que eleva os meus ânimos é o fato de ter me libertado das amarras dos padrões – tão quadrados e sem graça. É de ter deixado para trás as cobranças sobre meu físico e conseguido, finalmente, me enxergar de uma maneira completa, sem odiar o meu corpo e investindo igualmente no crescimento tanto do que tem por fora, quanto o que tem por dentro. Eu não me orgulho de ser gorda, de ter curvas, de ter coxas, bunda… Eu me orgulho de ter o corpo que eu tenho, seja ele como for. Eu me orgulho de ser plus size, da mesma maneira que me orgulharia se fosse magérrima. Porque eu amo cada detalhe do meu corpo. Ser plus size me deixa orgulhosa porque passei por muita coisa, sofri muito, chorei muito, antes de resolver deixar meu corpo agir por conta própria e definir finalmente como ele era. Mas se eu tivesse passado pelas mesmas coisas sendo magra (e eu poderia, sim, ter passado) eu também me sentiria orgulhosa.
Não é usando a desculpa tosca que “homem gosta de carne” ou “porque eles querem ter onde pegar” que eu tenho orgulho de ser plus size. Eu não acho que uma gorda seja melhor que uma magra e vice-versa. Eu não acho que todos os homens gostem de uma ou de outra coisa. Gosto é tão pessoal. Eu acho que enaltecer um padrão em detrimentode outro não é evoluir, ao contrário, acho que ficar diminuindo as pessoas, só porque elas são diferentes de você, é a mesma maldade e ignorância pela qual fizeram as gordas passarem durante anos. E a autoestima da mulher não é um jogo com dois times- o das magras e o das gordas – e um tem que sair ganhando. As mulheres não estão umas contra as outras e, quando elas se unem, todas saem ganhando.
Pode ser um equívoco da minha parte ou uma impressão errada, mas quando vejo algumas pessoas dizendo as frases que citei acima (“homem gosta de ter onde pegar”) ou coisas como “mas ela é muito magra para ser plus size” ou “plus size sem barriga, não é plus size”, entre outras frases desse tipo, me soa um tanto quanto como recalque. Como se toda mulher que vestisse mais de 46 tivesse que ser cheia de gorduras e dobrinhas. Eu sou plus size e tenho dobrinhas, mas sei muito bem que as pessoas não engordam da mesma maneira e nem nas mesmas regiões. Sei que uma mulher pode ser grande e ter um quadril 46 e isso não significa, necessariamente, que ela esteja acima do peso. Mas essa mulher é plus size também. Então por que ela não pode ser uma plus size sem barriga, com pernas finas? Eu não estou falando que é ela que devamos colocar como padrão, veja, eu sou totalmente contra quaisquer padrões. Mas tentar excluir essa mulher, só porque ela se aproxima de um padrão vigente, é criancice. É como excluir a coleguinha na hora do recreio porque ela tem uma lancheira mais legal.
Eu acredito que saber apreciar a beleza das pessoas, principalmente das diferentes de você, sem fazer comparações ou julgamentos, acontece quando você para de hipocrisia e realmente começa a entender o seu corpo, se aceitar e se amar. E aí, só quando este dia chegar, é que você vai poder dizer “eu tenho orgulho de ser plus size”.
Eu já fui obcecada por peso. Já fui tão obcecada que sentia meu estômago se desdobrando de fome dentro da minha barriga, abria a porta da geladeira e a única coisa que conseguia fazer era chorar. Não, nem um Polenguinho. Nenhum alimento era pouco o suficiente para o tanto que eu precisava emagrecer. Eu usava 36 – hoje visto 50. Não sei bem ao certo onde eu queria chegar. Só sabia que não era ali, era mais. Eu queria ser mais magra. Achava que a numeração das calças estava errada, que não era possível ser gorda daquele jeito e já vestir 36. Sim, eram as calças que estavam erradas, porque eu me via no espelho muito gorda. Pra piorar eu não ia ao banheiro. Eu não comia quase nada, mas queria que o pouco que comia saísse logo. Uma amiga recomendou um remedinho natural, “vende na farmácia sem prescrição, você toma e dentro de 6 horas vai ao banheiro”. Eu tomava um a cada 6 horas. Quando o remedinho começou a ter efeito rebote, achei melhor começar a vomitar. Contava 10 grãos de arroz, tomava um litro de água e saía da mesa com a desculpa que precisava ir fazer xixi. E vomitava.
Eu vomitava e chorava – de fome, de tristeza, de solidão. É muito solitário viver a prisão do seu corpo. É muito triste não conseguir pensar em mais nada além de emagrecer.
Fiquei encarcerada durante mais ou menos 1 ano. Foi o tempo que tomei o Roacutan, remédio para espinhas que tem a pior bula de efeitos colaterais de todos, entre eles distúrbios alimentares, depressão, desejo suicida. E eu tive todos os efeitos colaterais. Depois que parei o remédio, minha vida foi voltando ao normal. Mas claro, o desejo de ser magra está cravado na gente desde criança, o remédio potencializou, mas parar com ele não fez desaparecer toda a pressão que eu sofria para ter o corpo perfeito. Eu achava que não era perfeita. Eu achava que precisava ser…
Foi só 4 anos e 20 sessões de terapia depois que eu consegui tocar nesse assunto (e ainda hoje, 10 anos depois, quando falo meu olho se enche de lágrimas). Foi muita dor. Dor não é só o que a gente sente quando corta o dedo ou quando opera a vesícula. A pior dor que a gente sente é da tortura mental, que te mata por dentro.
Dona Vera, minha terapeuta, com suas sobrancelhas arqueadas, me perguntava:
– “quem liga para como é o seu corpo? Se é gordo ou magro?”
– “os outros”
– “mas quem são os outros?”
– “todas as outras pessoas!”
– “e como essas pessoas influenciam no curso que leva a sua vida?”
– ………
– “então por que você se importa tanto com o que elas acham de você?”
– ……….
– “já parou para pensar, que você está deixando sua vida ser levada pela opinião de pessoas que não influenciam em nada nela? Já pensou que você está anulando sua personalidade para isso?”
Dona Vera me deu um estalo que eu estava precisando. Eu precisava desse “clic” para conseguir analisar de fora como tinha sido horrível aquilo pelo que eu passei. Como eu tinha maltratado o meu corpo, a minha mente e a minha vida em busca de aprovação. E era isso mesmo que eu queria: aprovação. Eu queria que minha mãe não achasse defeitos em mim, que os meninos do colégio quisessem me namorar, me exibir, eu queria ser irretocável. Eu queria negar tudo que fizesse de mim quem eu era, para simplesmente virar um objeto de exposição. Mal sabia eu que só fica em exposição o que já está morto.
Eu costumo dizer que foi a faculdade que me fez enxergar a beleza que cada pessoa tem, cada uma a seu modo. Mas acho que quem realmente me fez enxergar isso foi eu mesma. Uma vez que eu entendi que cada pessoa é única e o que torna uma pessoa o que ela é seu conjunto de qualidades e defeitos, passei a admirar cada pessoa como um quebra-cabeça. Todas as peças são necessárias para montar um lindo quadro no final. E não dá para simplesmente tirar umas pecinhas de um quebra-cabeça só porque ele tem 500 peças – da mesma forma que não dá para tirar uns quilinhos só porque alguém tem de sobra.
As pessoas são diferentes e isso é bom. Cada pessoa gosta de uma coisa e isso é muito bom. Eu aprendi a descobrir do que eu realmente gostava. Descobri quem era a Juliana, o que ela tinha prazer em comer, em beber, em conversar, em ouvir, em usar, em escrever… Eu conheci uma pessoa incrível: eu mesma. E passei a amar tudo que essa pessoa fazia, passei a apreciar cada momento com ela e a dar valor aos pequenos prazeres que ela me proporcionava. E nunca mais quis brigar com ela. Só cuidar, com carinho, para que ela durasse muitos anos.
Hoje falo de boca cheia que sou uma gorda saudável e prefiro assim. Acho engraçado alguém falar “impossível alguém não querer emagrecer”. Eu já fui magra e já fui gorda. Escolhi ser assim. Eu não quero emagrecer, estou assim por opção, obrigada. Eu nunca mais quis ser diferente do que eu sou. Sim, eu quero que amanhã eu sempre seja uma versão melhorada de hoje, mas que para isso eu não tenha que sacrificar as minhas horas de alegria e nem o meu prazer de viver. Que para isso, eu não tenha que derramar lágrimas toda vez que me vejo no espelho. Eu sou assim, gordinha, com a mente muito mais rápida que o metabolismo.
Eu já disse e levo isso como mantra na minha vida: a minha aparência é tão pouco e tão pequena perto da mulher incrível que eu posso ser. Pra quê perder a vida tentando transformar a minha aprência, enquanto eu posso crescer de tantas outras formas? Enquanto o que está por dentro pode ser tão mais lindo e gerar muito mais frutos do que o que vem por fora?
O tempo passa, a gente envelhece, os padrões mudam, as pessoas vão e vêm. A única coisa que você consegue salvar é o que você cultivou de dentro para fora.
Confesso que já fui obcecada por peso e isso não me levou a lugar algum. Hoje sou apaixonada pela vida e vou para onde quiser (e isso inclui a academia, se me der vontade).
Obs: demorei mais de 4 anos para compartilhar essa história no blog, mas senti que era a hora de fazer o “Confissões de uma mulher normal” depois de um comentário infeliz de um rapaz que dizia “quero ajudar as meninas a se livrarem do martírio que é ser gordinha”. Eu digo que martírio é viver em função do seu corpo, gordo, magro, alto baixo, musculoso ou raquítico. Martírio é viver em função de futilidades. Ser quem você é não é um peso, é uma libertação!
Obs 2: antes que alguém fale alguma coisa, eu cuido do meu corpo, da minha alimentação e do meu bem-estar. Só não deixo que isso tome conta da minha vida e de todas as minhas experiências!
Ser gorda não é fácil em uma sociedade preconceituosa como a nossa. A gente tem que ouvir cada uma como se fosse a coisa mais comum do mundo ou, pior, como se fosse elogio. Listei a seguir 10 situações que toda gorda já passou, passa ou ainda vai passar na vida e tomei a liberdade de bolar uma resposta classuda, para deixar a outra pessoa tão desconfortável quanto você. Confira!
Foto meramente ilustrativa, porque amei a expressão dela. E, embora essa modelo seja considerada do ramo plus size, capaz que ela nunca tenha passado pelas situações abaixo…
1. “Seu rosto é tão lindo…”
– comenta aquela tia que quer o seu melhor
Essa é a frase fatídica que toda gorda já ouviu. Mas por que raios alguém acha, em sã consciência, que isso é um elogio?!
Como sair dessa com classe:“obrigada, mas eu sou muito mais que um rostinho lindo. Eu tenho inteligência, humor, bom senso… Que tal apreciar minhas outras qualidades mais importantes e não só minha aparência?!”
2. “Sinto muito, não temos o seu tamanho…”
– vendedora quando você dá o primeiro passo para dentro da loja
Impressionante como as vendedoras têm bola de cristal, né? E se eu estiver entrando para pesquisar tendências, ver peças legais, me inspirar? E se eu quiser só comprar um presente?
Como sair dessa com classe:“jura? Puxa, uma pena, vocês deveriam fazer uma grade maior. Mas vou dar uma olhadinha de qualquer jeito, depois mando um croqui para a minha costureira pessoal”. Nota: croqui é um desenho de estilista, normalmente com as inspirações da coleção, mas fale “crôquí” para ela achar que você entende mais de moda que ela.
3. “Você deveria emagrecer, sabe, por saúde…”
– diz a amiga que finge te amar como você é
Gente, todo mundo sabe que não é toda gorda que é doente, nem toda magra que é saudável (como eu explico nesse post AQUI), então não me venha com essa desculpa amarela para esconder sua gordofobia.
Como sair dessa com classe: “ô, querida, não sabia que você estava tão preocupada a ponto de conversar com o meu médico! Pois ele te disse que meus exames estão perfeitos? E como vão os seus?”
4. “Depois não entra nas calças e não sabe por que…”
– comenta qualquer pessoa que te veja comendo uma batatinha frita.
Deixa eu explicar uma coisa: sou eu quem pago as minhas calças e eu entro ou deixo de entrar onde eu quiser! Sempre sinto uma ponta de inveja nesses comentários amargos de pessoas quando veem outras comendo coisas gostosas, sou só eu?
Como sair dessa com classe:“Ótimo! Tô precisando renovar meu guarda-roupas mesmo!”
5. “Você não deveria usar essa roupa, não fica bem em gordinha”
– diz a sua mãe em um dia de mau humor.
Eu sei que nossas mães nos amam e querem o melhor para nós, mas elas têm seus dias de “cricrice” e o gosto delas não precisa ser o mesmo que o nosso, ok?!
Como sair dessa com classe:“obrigada, mãe, respeito sua opinião, mas estou me sentindo bem assim. Prometo que não vou criticar quando você usar aquelas estampas com vários tons de marrom, nem o seu tênis com saltinho, desde que você não interfira nas minhas produções, vamos combinar?!”
6. “Você não pode cortar franja, já que tem o rosto gordo”
– diz seu cabeleireiro que obviamente não é visagista
Quem disse que franja tem a ver com o tamanho do rosto, meu senhor? Franja tem a ver com o seu estilo e todo mundo pode usar franja, sim! Pode ser que uma franja reta e curta dê impressão de rosto mais largo, mas quem liga?! É estilosa pra caralho! E tem vários acabamentos e cortes diferentes de franjas, que não deixam o rosto parecer mais largo. É só fazer um repicado, com laterais mais longas, por exemplo.
Como sair dessa com classe:“é, tem razão. Então, vou querer só uma franja como essa da Adele, da Kelly Osbourne e da Ju Romano mesmo…” – e mostre fotos de referência com pessoas de rosto gordo usando franja, inclusive a minha heheheheh.
7. “Você não deveria comprar tanta porcaria…”
– comenta a velhinha atrás de você na fila do supermercado.
Olhares de reprovação. Quem nunca foi fuzilada por um desses no mercado, que atire a primeira pedra. Se eu ganhasse 1 real a cada um que recebo, estava bilionária. Sempre que pego um pacotinho de balinha de goma (AMO!) ou uma coca-cola normal (mesmo que seja para o meu namorado), vejo alguém me medindo de cima a baixo e quase consigo ouvir o pensamento dela “mas já tá gorda e ainda vai comprar isso…”.
Como sair dessa com classe:“estou fazendo uma experiência social para a escola do meu filho: eu encho meu carrinho de porcarias e vejo quantas pessoas enxeridas que não sabem nada sobre a minha vida ou minha saúde me olham feio ou vêm me criticar. Obrigada, você acaba de me ajudar nessa pesquisa”.
8. “Seu pé deve estar inchado, depois o sapato laceia…”
– diz a vendedora da loja de sapatos.
Por que a indústria de calçados só faz sapato pensando em pés magros, meu Deus?!? Aí as vendedoras ficam todas tentando socar seu pé dentro de uma sandália que é a metade dele e você é obrigada a comprar um tamanho 2 números maiores que o seu, só para as laterais do pé ficarem bem acomodadas.
Como sair dessa com classe:“moça, ele pode até lacear, mas vai ter que ser no pé de outra pessoa, já que não está passando nem dos meus dedos! Vocês não têm um modelo com a base mais larga?”
9. “Não temos tamanhos grandes, só até o 44, quer provar?”
– pergunta a vendedora desesperada para bater a meta.
Gente, mas se eu visto 48 ao 50, como eu vou fazer para entrar em um 44? Só se eu arrancar um bife da lateral da minha barriga, porque, né…
Como sair dessa com classe:“acho que não, moça. Não tenho o hábito de comprar roupas só para enfeitar o meu armário. Obrigada.”
10. “Só podia ser gorda…”
– o cretino do carro ao lado revoltadinho depois que você lhe deu uma bela fechada.
Pra mim esse é o pior. Presumir que você seja qualquer outra coisa só por causa do seu peso é muita ignorância! O que tem a ver o cu com as calças? Vai catar coquinhos…
Como sair dessa com classe:“vamos combinar: eu volto para a autoescola e você vai pra escola, o que acha?”. Ou fecha o vidro, taca um foda-se, liga o som e sai cantando, que a opinião de gente ignorante assim não tem nem que ser levada em consideração.
Bom meninas, caso não tenha ficado claro, este é um texto de humor e reflete várias situações pelas quais eu já passei, já me chateei e depois pensei que se eu tivesse mantido a calma poderia ter dados respostas que fariam essas pessoas nunca mais serem inconvenientes… Ou não, mas eu deveria ter pelo menos tentado!
Por hoje é isso, mas se você também tem uma situação como as minhas, deixa aí nos comentários e vamos lá para o Facebookconversar mais!
Lembro como se fosse ontem, cheguei em casa e minha mãe me esperava com uma cara desgostosa. “Filha, tenho más notícias…”. Era o dia que ela tinha ido buscar meus exames no laboratório. A taxa de triglicérides estava 150 pontos acima do limite aceitável e eu teria que mudar radicalmente minha alimentação. Foi um choque, já que desde que nasci meus exames são perfeitos. Chorei. Não me lembro de ter chorado de tristeza nos últimos 10 anos – a última vez que chorei assim foi na porta da geladeira, aos 15, quando tive distúrbios alimentares.
Antes que você pense “é claro que é doente, ela é gorda”, saiba que o nível alto de triglicérides não é exclusividade da gorda. É um problema de quem come muito carboidrato. A pessoa pode ser super magra, mas comer muito macarrão, arroz, batata, etc e ser pega pelo triglicéride.
A médica explicou: “você terá que cortar os doces, massas e trocar tudo pela versão integral. Adicione grãos, folhas e legumes na sua dieta e evite todas as frituras, macarrão e sobremesas”. Pensei: deus não dá asas às cobras. Logo eu, que não me importo em engordar, tenho que tirar todas as gostosuras da minha alimentação? E meu corpo? Eu gosto dele como ele é, não o quero mais magro!
Mas, para mim, se tem uma coisa mais importante que qualquer outra, é a saúde. Dito e feito. Troquei tudo no meu prato: coloquei muita alface, muitos legumes, cortei a fritura. Arroz? Só o integral. Refrigerantes, só a versão light ou água.
Isso foi em setembro do ano passado. Em outubro repeti os exames: PERFEITOS! Em um mês, com muita força de vontade, consegui abaixar para níveis normais os meus triglicérides. Todas as taxas (glicose, colesterol, etc) também estavam onde deveriam estar. Fiquei feliz e nunca mais voltei a comer como antes.
Isso já faz 5 meses e eu não emagreci nem 1 quilo. Não digo isso como um mérito ou demérito, mas me deixa nervosa quando ouço que gorda não se alimenta bem ou que gorda não é saudável. Ou, pior, que só é gorda porque não tem força de vontade para comer direito. E ainda aquela velha desculpa: quero emagrecer só uns 10 quilinhos por causa da saúde. Eu entendo que as pessoas precisem de uma desculpa para justificar sua vontade de ser magra, mas não me venha com esse discurso montado e que deixa subentendido que a gorda é doente (a não ser que de fato emagrecer seja uma recomendação do médico, aí sim faz sentido!)
Sim, eu como muito, eu como bem e eu não me esforço para emagrecer. Mas é porque eu quero. Eu não me preocupo em ser magra e não vejo como emagrecer acrescentaria na minha vida, uma vez que eu já estou com todos os exames saudáveis e com o corpo que eu tenho.
Estou cansada do velho discurso hipócrita de que o problema de ser gorda é a saúde. Porque só a saúde da gorda incomoda, quando a saúde é da magra, até quando é ruim, é boa.
Beijos de uma gorda, com exames perfeitos e uma alimentação regrada.
Olá queridas, tudo começou com Isabella Fiorentino falando que o fim da ditadura da magreza é uma “ilusão”, depois sou obrigada a ler em uma revista gringa que Robyn Lawley lançou uma coleção polêmica plus size que vai do 36 ao 48, agora acabo de ver que a próxima novela da Globo vai colocar uma atriz que veste 40 (e ainda engordou para fazer o papel) como gordinha que sofre bullying. O QUÊÊÊÊÊÊ?!?!?!? TÁ TUDO ERRADO!!!
AVISO: Esse é um post absolutamente revoltado, totalmente opinativo e que contém muitos palavrões. Se você é contra qualquer um dos itens descritos, pare por aqui e NÃO leia o resto!
Vou começar por tópicos, lembrando que qualquer opinião é válida, mas vamos manter a discussão em um nível decente, ok?
ISABELLA FIORENTINO
Como jornalista, sei que algumas edições maldosas podem distorcer o que um famoso quis dizer, o que é claro não justifica de forma alguma a Isabella dizer o que disse. Como filosofou Fabiana Karla no dia que eu a entrevistei: “preconceito todo mundo tem os seus, só que ninguém precisa ficar esfregando na cara dos outros”. Eu não poderia concordar mais, respeito em primeiro lugar sempre. Sem contar que não é toda magra que fica bem em tudo, nem toda gorda que não fica bem em nada. As dificuldades em comprar roupas existem para TODAS as mulheres, porque somos ensinadas a nunca achar que o que é nosso está bom e sempre esperar que a roupa caia em nós da mesma forma que vemos na propaganda ultra mega photoshopada (não acredita? Olha esse vídeo AQUI).
Nós temos sim que acreditar e fazer de tudo para que qualquer ditadura do corpo chegue ao fim e que as mulheres parem de achar que só um tipo de corpo é bonito! Todas somos lindas e únicas. É por pensamentos de mulheres assim, como o da Isabella, que as mulheres passam a vida infelizes em busca de algo que elas nunca vão alcançar. É por causa de mulheres que abaixam a cabeça e são coniventes com os padrões de beleza exagerados, como Isabella, que existem tantas meninas doentes por peso, morrendo de magreza ou morrendo de tristeza quando gordas.
COLEÇÃO DA ROBYN LAWLEY
Antes de tudo, vou dizer a minha opinião sobre a Robyn: eu acho ela simplesmente maravilhosa e AMO vê-la nas capas de grandes revistas sambando na cara da sociedade, simplesmente porque ela é uma mulher normal, com dobrinhas, com cara de saudável, com uma barriguinha (pequena, mas ainda assim, nada de barriga negativa).
Posto isso, sempre digo que PLUS SIZE nada mais é do que uma nomenclatura da moda criada para chamar as peças que têm numeração acima de 46. Portanto, meu povo, meu mundo, minhas queridas revistas: PLUS SIZE NÃO É QUALQUER MULHER QUE NÃO SEJA RAQUÍTICA. Uma mulher como a Robyn Lawley é só normal! E a numeração de 36 ao 46 é a mesma numeração de qualquer outra coleção, de qualquer outra loja, não é nada plus size. Sorry!
Correção: uma leitora veio me questionar sobre a numeração da coleção, fui checar e me confundi, a coleção vai até o nº20, que no Brasil é equivalente ao 48 (veja a tabela oficial aqui). De qualquer forma, uma coleção plus size que só tem 2 números plus size e uma modelo que veste 40 é muita hipocrisia, não?!
POLLIANA ALEIXO USANDO 40 E ACHANDO QUE TÁ GORDA
É sério isso? É SÉRIO MESMO? CÊ JURA?!?! Ô Globo, vê se toma vergonha nessa cara e pára de tratar esse assunto de forma ignorante, de forma leviana. Do jeito que tá rolando só piora a situação de quem é REALMENTE gorda, como eu, por exemplo. Já é difícil pra cacete convencer uma menina de 12/13/14/15 anos que ela pode ser normal usando 46 ou mais, que ela vai namorar, que ela vai estudar, trabalhar, ser feliz… Agora vai lá, colocar em canal aberto, uma menina que usa 40 (e obviamente não tem nem METADE dos problemas que nós, gordas, temos para comprar roupa, encarar preconceito, superar traumas, etc) como gorda?!?! O que vocês acham que vai acontecer com meninas saudáveis que usam 40 ou 42?! Elas vão achar que estão gordas e vão começar regimes malucos, prejudicar a saúde, entrar em neuras por causa de uma porcaria de uma novela que ao invés de tratar o assunto de forma séria fica fazendo essas presepadas sem tamanho. Vou contar que aqui no Brasil, uma mulher que veste 40 é no mínimo magra – pra não dizer gostosa, como os homens diriam.
Agora, o povinho da Globo, me diz uma coisa: se ela é gorda e sofre bullying, como deveria ser uma menina para não sofrer bullying?!?!
Será que eu fui a única pessoa não estúpida a fazer esse questionamento?!?!? Será que os roteiristas, produtores, diretores realmente acham que estarão passando algum tipo de mensagem boa com isso? Ou é só pra gerar audiência fodendo com o corpo feminino, MAIS UMA VEZ?!
Ficam aí minhas opiniões sobre os três assuntos, já que várias leitoras queridas me perguntaram tanto.
Olá queridas, eu vi esse vídeo abaixo que tem 1 minuto e 11 segundos, mas me fez pensar por uma vida inteira: por que passamos a vida tentando mudar por um padrão irreal? (junte-se a mim nessa reflexão!)
Depois de uma semana internada no SPFW (São Paulo Fashion Week, ninguém é obrigada a saber as siglas da moda ué) eu digo uma coisa: ninguém ao vivo é igual ao que é em fotos. Isso porque as marcas/revistas usam muito (mas MUITO MESMO) Photoshop nas modelos e nas atrizes, para mudar tudo o que lhe convir. A modelo é curta? Deixe as pernas mais compridas. Tem pouco peito? Silicone digital. Tem queixo largo? Além do make, afina só mais um pouquinho. E assim vai… Até que ela fique COMPLETAMENTE diferente.
Já ouviu dizer que se a Barbie existisse de verdade, ela jamais teria aquele corpo porque é absolutamente desproporcional?! Pois bem, olhe esse vídeo e comece a refletir se o que você busca é mesmo possível ou você só está se deixando levar por um padrão completamente surreal.
Depois dessa, fiquei me questionando, será mesmo que eu tenho coisas fora do lugar ou são essas mulheres de imagens que vemos todos os dias é que foram completamente deformadas?!?
Enfim, o vídeo faz parte do projeto Global Democracy, um site que usa as mídias sociais para identificar soluções populares para várias questões que afetam o mundo – sim, porque anorexia é uma das principais causas de morte entre as mulheres jovens. O princípio e objetivo básico deles é que o sistema de votação em massa faça tanto barulho que os líderes dos países não consigam ignorar mais o problema e tomem uma atitude para melhorar. Se quiser conhecer mais sobre esse trabalho, clica AQUI.
Fica aí a reflexão 😉
Me conta tudo o que você acha nos comentários abaixo e vamos lá pro meu Facebook fofocar mais
Olá queridas, acabei de ver a atriz plus size Melissa McCarthy na capa da Elle de Novembro e, embora eu fique absolutamente feliz em ver o sucesso de uma atriz incrível e uma gordinha maravilhosa sambando na cara da sociedade, acho que temos muito assunto a fiar a respeito dessa capa.
O fato é que em poucos dias a foto já gerou polêmica: uns dizem que é ótimo, incrível que uma plus size apareça na capa de uma das principais revistas de moda do país. Outros, criticam dizendo que ao contrário das capas anteriores, nessa a atriz aparece toda coberta, como se estivesse se escondendo. E há quem diga que ela foi completamente photoshopada e emagrecida para sair na foto.
Como esse post é só uma rapidinha, gostaria de ouvir de você: O QUE VOCÊ ACHA?
Por enquanto é isso, me conta TU-DO nos comentários e vamos lá pro meu Facebook conversar mais
Não podia deixar de comentar a polêmica sobre o corpo da Izabel Goulart que foi considerado pelo site de uma grande revista “o corpo perfeito”. O problema não está no corpo dela em si. Li os comentários disparados contra a modelo – e digo disparados porque foram feitos com tamanha agressividade que viraram praticamente armas nas letras colocadas – e fiquei passada por dois motivos: primeiro porque me dei conta da magnitude que a discussão sobre aceitação de diferentes corpos tinha tomado; segundo porque nessas horas muitas pessoas (não todas) esquecem de refletir sobre a culpa o argumentador e atacam o objeto argumentado – no caso o corpo da modelo.
A gente não sabe como anda a saúde da Izabel, muito menos se ela é “desnutrida” ou “anoréxica”. Sim, ela é realmente muito magra. Mas como colocou uma leitora nos comentários da matéria, ser muito magra não é sinônimo de doença, assim como ser gorda também não é. Acredito que toda aceitação vem do respeito e se a gente espera respeito pelas nossas gorduras extras, devemos, no mínimo, respeitar outros tipos de corpo diferentes dos nossos.
Posto isso, digo que me envergonho desse tipo de jornalismo que rotula, que impõe, que glorifica um lado em detrimento do outro. E penso, em que ano estamos? Jura mesmo que em 2013, com esse movimento tão grande de aceitação, ainda temos que ler que existe somente um tipo específico de corpo perfeito? Como se todas as mulheres desse mundo devessem achar uma coisa bonita, só porque a pessoa que está do lado de lá, protegida por um grande veículo, acha… E digo uma coisa, todos os corpos são perfeitos. Por mais que tenham defeitos, são lindos.
Então fico pensando, por que eu deveria achar aquele corpo bonito? Ele não se assemelha em nada com o meu: sou baixinha, tenho quadris largos e cintura fina, tenho pouco peito e muita bunda. Nunca, jamais, nem se fizesse mil regimes e emagrecesse a minha última grama de gordura, eu NUNCA ia me parecer com ela – alta, magra, reta e com braços finos. Deixando de lado o meu gosto pessoal e o que eu acho bonito, por que eu acharia aquilo, que é tão distante da minha realidade, “perfeito”?! Por que tem alguém tentando sempre me colocar para baixo, dizendo que aquilo é incrível e, logo, deixando subentendido que o meu não é, já que o “ideal” está completamente distante de mim (e da maior parte das brasileiras).
Nesse mundo é preciso ter um psicológico de adamantium (uma liga metálica fictícia… Referência nerd, desculpa!), porque só assim para se manter concentrada na realidade e conseguir ignorar ou abstrair esse monte de porcaria que nos é enfiado goela abaixo todos os dias. Eu sempre digo que a infelicidade gera dinheiro e que em tempos de capitalismo deixar as pessoas infelizes movimenta a economia. Uma mulher que tenta conquistar o corpo perfeito paga academia, paga comidas caras, paga aula de bike, paga suco detox, paga lipoaspiração, paga o que for para ter um “corpo perfeito”. O que ninguém diz para essa mulher é que ela não vai chegar lá. O que ninguém diz para ela é que ela não precisa se parecer com Izabel, com Gisele, com Isabelli. Ela só precisa se parecer com ela, já que assim como as citadas anteriormente, ela é ÚNICA.
Não me leve a mal, não sou contra o capitalismo, sou contra o modo como as coisas são feitas. E se você leu tudo e chegou até aqui, também deve ser. Eu acredito que estamos sempre dando passinhos para frente, para a evolução, para a liberdade e para a igualdade. Mas quando leio matérias e comentários desse tipo, nos vejo dando dois passinhos para trás. Te faço um convite, antes de dar qualquer passo, vamos pensar, refletir, nos colocar no lugar das pessoas e aí então movimentar nossas pernas mentais?! Vamos aprender a ler e absorver o que nos faz evoluir e esquecer, ignorar, lutar contra o que nos faz retroceder?!
É que vai chegando o verão e de repente o corpo vira uma questão tão maior que qualquer outra. Mas afinal, me parece tão vazio e pobre de espírito uma pessoa deixar que o culto ao corpo tome tanta conta da vida dela e consuma tanto do seu tempo, dinheiro e intelecto… Não é?
Enfim meninas, deixo o espaço dos comentários para quem quiser deixar seu ponto de vista, peço só que mantenham respeito e um nível racional de discussão 😉 De resto, sintam-se a vontade para expressar todos os seus sentimentos! Me contem, o que vocês acharam da “polêmica”?!?
Primeiro vamos ao fato: a organização do concurso Miss Bumbum Brasil informou, ontem, a desclassificação da candidata Andrea do Valle representante do estado do Piauí. O motivo? Ela engordou.
Como boa defensora das curvas e das mulheres, confesso que eu odeio a mensagem implícita nessa desclassificação, a de que se você engordar você não pode ser a mais bonita. Como se um concurso para eleger o bumbum mais perfeito já não fosse ridículo o suficiente, ele ainda reafirma a ideia de que a mulher deve ser vista como um objeto. Ela deve ser como um bom carro: deve ter as medidas perfeitas para caber na garagem e deve vir sem arranhões – ou caber na cama e sem celulites, no caso.
Recebi hoje o “comunicado” oficial que diz:
A organização do concurso Miss Bumbum Brasil quer informar a desclassificação da candidata Andrea do Valle representante do estado do Piauí.
Andrea teve um evidente ganho de peso desde a realização das fotos de divulgação do concurso. Regra que consta no regulamento no site oficial www.missbumbumbrasil.com.br e deixa claro que as candidatas devem manter o peso e a estética do corpo.
Ok, curiosíssima para ver o regulamento de um concurso tão sério e tão importante para a humanidade (#ironia) fui ler e, como vocês podem ver com os próprios olhos, NENHUMA parte do regulamento diz que as candidatas não podem ganhar peso. Diz só que:
Art. 7º – As participantes comprometem-se a cumprir a agenda do CONCURSO até o final, durante todo o período, que envolverá compromissos designados pela CONCORRÊNCIA 1 EVENTOS E PROMOÇÕES LTDA, tais como, mas não se limitando a estes:
1) Participação nos programas de televisão;
2) Cessão de fotos;
3) Reuniões;
4) Tomadas de medidas periódicas;
5) Provas de roupas;
6) Comparecimentos eventuais necessários.
Para mim “tomadas de medidas periódicas” e “provas de roupas” não é deixar claro que a candidata não pode engordar.
Tirando essa parte, eu não acho que devemos lutar para a Andrea do Valle volte ao concurso com os seus quilinhos e celulites a mais. Nós devemos é brigar para que concursos como “Misses o caralho a 4” não existam mais. Porque esses concursos além de colocarem a mulher como um objeto, também querem dizer como deve ser sua genética, quais devem ser suas medidas e como você, mulher, deve se comportar para ser “perfeita”. O que significa que tudo que estiver fora do “Miss Whatever” é imperfeito. Isso mesmo, minha amiga. Eu, você, sua prima, sua mãe, sua tia… Todas nós somos imperfeitas, não importa como sejamos. Se estivermos fora das medidas, já era…
Esse tipo de concurso traz o pensamento mesquinho de que você deve ser igual às outras mulheres, que você deve se encaixar em um padrão e que só assim, tendo as medidas perfeitas, as pessoas vão te aceitar. Pensamento que, infelizmente, é tão adotado pelas mulheres que se deitam em mesas de cirurgia em busca de uma perfeição criada. Esse pensamento e esse tipo de “concurso”, amiga, é o culpado por você acordar de manhã e brigar com o próprio espelho. É culpado pela maior parte das suas inseguranças. É culpado por você não achar que merece o melhor que a vida pode oferecer. Simplesmente porque você não se encaixa nas medidas e não é perfeita. Mas, reflita comigo, quem foi que criou essas medidas?
Antes que alguém pergunte, eu também sou contra o Miss Plus Size . Sim, sou contra. Porque eu acho beleza subjetiva, eu acho que todo mundo tem um lado lindo e um lado horrível – e nem sempre esses lados são vistos por fora. Eu sou contra qualquer concurso de beleza, simplesmente porque eles reafirmam a auto-estima de uma pessoa só, enquanto destroem a de milhares de outras. E tentam fazer todo mundo ser igual.
Parafraseando a eterna musa Coco Chanel: “Para ser insubstituível, você precisa ser diferente”
Obs. E nem vou começar a falar sobre o porquê (meu Deus, por quê?!) das mulheres, que já são lindas, se submeterem a esse tipo de concurso, com esse tipo de foto, etc.
Depois da polêmica absurda envolvendo a Abercrombie & Fitch (não lembra? Clica AQUI) a marca parece perder cada vez mais a credibilidade, levando junto para o buraco as outras duas marcas do grupo dos “3As”: a Aeropostale Inc e a American Eagle Outfitters. A Aeropostale teve queda de 15% nas vendas do último trimestre e a American Eagle teve de reduzir sua margem de lucro, para abaixar os preços das peças.
#CHATIADOS
Para os analistas, essas marcas parecem ter saído da moda para seu público alvo, que prefere investir dinheiro em eletrônicos e comprar roupas em lojas mais baratas, como na H&M, Uniqlo e Zara – que só cresceram no último trimestre.
Sinceramente, não me dá nem um pouco de dor no coração. Aqui se faz, aqui se paga. O Sr. Mike Jeffries não queria só os populares, as loiras, altas, magras e ricas?! Pois é, meu filho, então agora lide com o fato de quase ninguém ser assim.